Ideias e pensamentos em prosa e poesia.

Estava procurando um tema para a coluna dessa semana, e ela caiu do céu. Uma pessoa muito próxima estava me contando sobre brincadeiras que os colegas de trabalho fizeram, e o comentário-chave desencadeou essa reflexão: “tem gente que mistura as coisas, não podemos dar liberdade”.

Eu associei a ideia com uma professora que tive no ensino médio. Em uma aula, ela nos deixou fazendo exercícios, e se ausentou da sala por alguns instantes. A maiorica começou a fazer bagunça e barulho. Quando ela retornou, ela disse essa frase “vocês confundem liberdade com libertinagem”. Quantas vezes, seja com amigos, colegas de trabalho ou familiares, também não confundimos essas duas atitudes? No trabalho, é mais fácil de exemplificar essa confusão, mas com certeza serve para qualquer relacionamento, em qualquer ambiente.

Para começar, passamos a maior parte do tempo em nossos trabalhos. Existem aquelas pessoas que são mais extrovertidas, os que são mais quietos, os brincalhões, os sérios, e por aí vai. Brincadeiras entre colegas são comuns, seja na máquina de café, no almoço ou happy hours. E o perigo reside exatamente aí: qual a relação que você tem? A partir do momento que você brinca com as pessoas, as pessoas terão o direito de brincar com você. O que acontece é quando perdemos a noção do nível e da forma de brincar, e acabamos confundindo a liberdade com ironia, sarcasmo ou alfinetadas. Sem querer, magoamos ou ofendemos alguém, mesmo que julguemos aquele comentário como inocente.

“O segredo é a alma do negócio”. Essa frase é famosa e serve muito bem para nossa postura no trabalho. Existem os momentos de relaxar, descontrair e os momentos de falar sério. Por passar mais tempo no ambiente profissional, acabamos criando vínculos e amizades. Porém, é sempre bom evitar comentários sobre a vida particular, deixar o tempo mostrar quem são as pessoas que realmente podemos ou não confiar (e isso não é uma tarefa fácil, pois quem menos esperamos, ás vezes, pode nos surpreender, positiva ou negativamente). E também tomar cuidado com as brincadeiras que fazemos, para não perder a postura, o profissionalismo e, principalmente, a educação.

No caso que mencionei no começo, aconteceu na hora do almoço, por ele falar que namora, e nunca apresentar ou mostrar foto da pessoa. E uma das pessoas que trabalha com ele fez uma brincadeira questionando sua sexualidade. A vida particular não interessa para os outros. É bom aprendermos a não expormos demais nossa vida privada (as redes sociais são um exemplo disso, já vi casais terminarem por exposição excessiva). Fomos contratados para executarmos nossas atividades profissionais, não para fazer amizades de infância ou compartilhar nossa vida inteira. Existem pessoas que podemos criar um vínculo que permita isso, mas quanto mais evitarmos exposição gratuita, menos a “rádio peão” irá circular.

Isso serve para a família e os relacionamentos em geral. Quanto menos nos expusermos, melhor. E nem assim funciona sempre. É fantástico termos intimidade, amizades, familiares com quem podemos contar sempre, confiar e tudo mais. Mas existem coisas que só confessamos ao nosso travesseiro, ou conosco mesmo. Aprendi isso com uma taróloga. Quando estamos apaixonados, amando, queremos que o mundo saiba. Mensagens no msn, no facebook, twitter e onde mais for possível. E a frase que eu ouvi foi “nem sempre o outro estará torcendo por você, porque ele não está vivendo a mesma situação”. E ela continuou: “Está apaixonado? Que bom! Conte para o espelho, para o seu travesseiro, converse com você mesmo. Nem parente às vezes devemos contar”. E eu entendi a mensagem, não é que não podemos compartilhar nossa felicidade, os bons momentos com quem amamos, com nossos amigos, pais, irmãos, etc. É apenas dosar até onde se pode compartilhar.

Resumindo, não vamos dar liberdade a quem não queremos. Vamos evitar ao máximo confundir a liberdade e a intimidade que nos dão, como se pudéssemos ser invasivos ou ofensivos. Tudo passa pelo filtro do bom senso e sempre perguntar “eu preciso compartilhar isso com todo mundo?” “Por que não esperar dar certo primeiro?”. Temos que respeitar e exigir que as pessoas nos respeitem. Então, quando não gostar de algo, tente conversar com quem fez a brincadeira ou comentário. Se mesmo assim persistir, ignore, pois quanto mais a gente se incomoda, mais o outro sente que consegue nos atingir. Quando não damos audiência, a pessoa se cansa.

Aceitar é direito, respeitar é um dever. Não vamos mais confundir liberdade com libertinagem.

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